sexta-feira, 18 de março de 2016

O pica do 7


De manhã cedinho
Eu salto do ninho e vou p'rá paragem
De bandolete, à espera do sete
Mas não pela viagem
Eu bem que não queria
Mas um certo dia, vi-o passar
E o meu peito céptico
Por um pica de eléctrico voltou a sonhar

A cada repique
Que salta do clique da aquele alicate
De um modo frenético
O peito é céptico toca a rebate
Se o trem descarrila
O povo refila e eu fico no sino
Pois um mero trajecto
No meu caso concreto, é já o destino

Ninguém acredita no estado em que fica o meu coração
Quando o sete me apanha
Até acho que a senha me salta da mão
Pois na carreira desta vida vã
Mais nada me dá a pica que o pica do sete me dá

Que triste fadário
E que itinerário tão infeliz
Traçar meu horário
Com o de um funcionário de um trem da carris
Se eu lhe perguntasse
Se tem livre passe para o peito de alguém
Vá-se lá saber
Talvez eu lhe oblitere o peito também

Ninguém acredita no estado em que fica o meu coração
Quando o sete me apanha
Até acho que a senha me salta da mão
Pois na carreira desta vida vã
Mais nada me dá a pica que o pica do sete me dá


Autor: Miguel Araujo

Bonita



Primeiro foram as mãos que me disseram
que ali havia gente de verdade
depois fugi-te pelo corpo acima
medi-te na boca a intensidade
senti que ali dentro havia um tigre
naquele repouso havia movimento
olhei-te e no sol havia pedras
parámos ambos como se parasse o tempo
parámos ambos como se parasse o tempo

é tão dificil encontrar pessoas assim bonitas
é tão dificil encontrar pessoas assim bonitas

atrevi-me a mergulhar nos teus cabelos
respirando o espanto que me deras
ali havia força havia fogo
havia a memória que aprenderas
senti no corpo todo um arrepio
senti nas veias um fogo esquecido
percebemos num minuto a vida toda
sem nada te dizer ficaste ali comigo
sem nada te dizer ficaste ali comigo

é tão dificil encontrar pessoas assim bonitas
é tão dificil encontrar pessoas assim bonitas

falavas de projectos e futuro
de coisas banais frivolidades
mas quando me sorriste parou tudo
problemas do mundo enormidades
senti que um rio parava e o nevoeiro
vestia nos teus dedos capa e espada
queria tanto que um olhar bastasse
e não fosse no fundo preciso
queria tanto que um olhar bastasse
e não fosse preciso dizer nada

é tão dificil encontrar pessoas assim bonitas
é tão dificil encontrar pessoas assim pessoas


Pedro Barroso

segunda-feira, 14 de março de 2016

Flagrante

Bem te avisei, meu amor
Que não podia dar certo
E que era coisa de evitar

Como eu, devias supor
Que, com gente ali tão perto,
Alguém fosse reparar
Mas não!
Fizeste beicinho e,
Como numa promessa,
Ficaste nua p'ra mim

Pedaço de mau caminho
Onde é que eu tinha a cabeça
Quando te disse que sim?

Embora tenhas jurado
Discreta permanecer
Já que não estávamos sós

Ouvindo na sala ao lado
Teus gemidos de prazer
Vieram saber de nós

Nem dei pelo que aconteceu
Mas mais veloz e mais esperta
Só te viram de raspão

A vergonha passei-a eu
Diante da porta aberta
Estava de calças na mão

Autor: Antonio Zambujo

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Lisboa de Feira






HÁ NESTA LISBOA UM MODO DE ESTAR
HÁ NESTA LISBOA UM CANTAR Á TOA QUE PEDE P`RA AMAR
CÁ NESTA CIDADE, JUNTO AO ROSMANINHO
HÁ UM VERSO A RIMAR NUM MODO DE FALAAR QUE NUNCA É SOZINHO

HÁ NESTA LISBOA, UM MODO DE OLHAR
ÁS VEZES MALHOA MALUDA PINTORA DE UM GRANDE POMAR
CÁ NESTA CIDADE DO NOVO E DO VELHO
HÁ UM RISCO A CORRER ESSE MODO DE VER QUE É A LUZ DO BOTELHO

HÁ NESTA LISBOA UM MODO DE ESCRITA
QUE É UM GRANDE LIVRO DO ENORME POVO QUE NELA HABITA
CÁ NESTA CIDADE, POR MAIS QUE NOS DOA
EXISTE UM MISTÉRIO DO QUE FOI IMPÉRIO DE QUEM É PESSOA…

CÁ NESTA CIDADE, EM QUALQUER CAMINHO
HÁ UM CANTO AO FADO QUE FAZ LEMBRAR ÁGUA
QUE FAZ LEMBRAR VINHO

HÁ NESTA LISBOA UM MODO DE RIR
DE QUALQUER SOLNADO QUE ENSINOU A TANTOS, TU PODES SEGUIR
CÁ NESTA CIDADE COM O TEJO Á BEIRA
HÁ UM MODO DE ESTAR HÁ UM MODO DE ANDAR, HÁ UM MODO DE FEIRA

HÁ NESTA LISBOA, P`RA SER VERADEIRO
UM MODO IGUAL AO NOME CAPITAL QUE É PORTUGAL INTEIRO
CÁ NESTA CIDADE Á NOSSA MANEIRA
HÁ UM MODO DE OLHAR COM MANEIRAS DE MAR
BEIRA RIO … BEIRA FEIRA

Canta: Fernando Tordo

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Desportivo de Ronfe - canção de apoio



VÁ LA RAPAZES VAMOS JOGAR
NESTE RELVADO RONFE QUER VER
MUITOS GOLOS PARA FESTEJAR
COM ALEGRIA VAMOS VENCER

CÁ ESTAMOS NÓS PARA APOIAR
ERGUENDO A VOZ VAMOS CANTAR

DESPORTIVO DESPORTIVO, ALLE
DESPORTIVO DE RONFE, ALLE ALLE

SOMOS BAIRRISTAS E UMA SÓ VOZ
CANTAMOS ALTO RONFE SOMOS NÓS !
DE MÃOS DADAS EM UNIÃO
Á NOSSA EQUIPA E Á DIRECÇÃO

CÁ ESTAMOS NÓS PARA APOIAR
AGORA COM PALMAS VAMOS
CANTAR
Autor/Compositor :
Jonel

domingo, 9 de maio de 2010

Manel das Cebolas - Beirolas


DEU-SE PERTO DE BEIROLAS
UM GRANDE ACONTECIMENTO
FOI O MANEL DAS CEBOLAS
QUE ESTREOU UMAS CEROULAS NO DIA DO CASAMENTO

NUNCA USARA TAL GRACINHA
E Á MESA DE REPENTE
DISSE VIRADO P`RA QUERIDINHA
VOU FAZER UMA COISINHA QUE NINGUEM FAZ POR A GENTE

E JÁ UM POUCO BORRACHO
O BOM MANEL DAS CEBOLAS
MESMO A BEIRA DUM RIACHO
DEITOU AS CALÇAS A BAIXO SEM SE LEMBRAR DAS CEROULAS

DE PUXAR ESTAVA CANSADO
E OLHOU P`RA TRAS ENTÃO
FICOU MUITO ADMIRADO
PORQUE TINHA DESPACHADO E NÃO VIU NADA NO CHÃO

A NOIVA POR SUA VEZ
VAI ENCONTRÁ-LO PORÉM
ELA TEIMA QUE ELE NÃO FEZ
MAS O MANEL BATENDO OS PÉS DIZ QUE FEZ E MUITO BEM

LÁ FORAM A DISCUTIR
COMO ERA EM CASOS TAIS
E NA SALA DE JANTAR QUANDO SE FOI A SENTAR
ACHOU QUALQUER COISA A MAIS

COM GRANDE SOFREGUIDÃO
METE A MÃO NA CALÇA E DIZ
EU SEMPRE TINHA RAZÃO
REPAREM NA MINHA MÃO E VEJAM SE EU FIZ OU NÃO FIZ


Cantam: QUIM da ROSA


quarta-feira, 21 de abril de 2010

O viajante










Eu tinha tanta fome de ir embora,
Pra ver a vida como a vida era,
Pra aquele teu conselho eu nao liguei,
Agora eu vejo o quanto me enganei

Manda-me um bilhete de regresso ou venha me buscar nao ando bem.
Pensei que abandonar-te era progresso...oh oh oh
Mas sem o teu amor não sou ninguém.

Peguei a minha herança e fui embora
De todos os manjares eu provei
Não houve nada que eu não fiz lá fora
Mas nem por isso eu me realizei

Dinheiro, amores, drogras, malandragem
Eu tinha tudo isso e muito mais
Gastei a minha herança na viagem
Comprei a vida mas não tenho paz

Eu vi a vida como a vida era,
E vi que a vida às vezes dói demais,
Viver sem teu amor é uma quimera
Eu volto a ser teu filho pra ter paz

Aos poucos eu ensaio aquele abraço
Que um filho arrependido dá no pai
Na hora em que eu voltar ao teu regaço
Te juro que eu não saio nunca mais

Padre Zezinho

video com musica:
www.youtube.com/watch?v=KePlBnXS05A

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Impele a tua própria canoa

Não deixes cair teus olhos,
Não te deixes enganar,
Olha de frente os escolhos,
Olha podes encalhar.

É urgente estar atento,
Ver para onde corre a maré,
Ver de onde sopra o vento,
Não vás tu perder o pé.

B.P. é quem to diz, oh oh,
Impele a tua própria canoa.
Se queres mesmo ser feliz,
Não te deixes ir à toa,
Impele a tua própria canoa,
Impele a tua própria canoa.

A vida não é um deserto
Não queiras ficar no cais
Lenço rubro é rumo certo
Decide tu aonde vais
Não queiras ficar no cais


grupo: Rumos

video com a musica :
www.youtube.com/watch?v=OfO1HEwk1Ds

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Hino 75º.aniv. CNE Ronfe


Setenta e cinco anos vividos
Coroados de alegria
Por aqui tantos passamos
Na mais perfeita harmonia
Somos irmãos e amigos
A dar as mãos que é sinal
De amizade e partilha
servir é lema, é ideal

E a cantar vamos dizer
Parabéns Ronfe viva o C.N.E
Lobito ou Chefe sempre a crescer
E a partilhar, assim é que é
Estamos em festa e a cantar
Escutas de Ronfe renovam valores
Vamos em frente, marchar marchar
Dos corações brotam louvores

Escuteiros de trinta e cinco
Fundadores do Agrupamento
Estejam em paz e descanso
No eterno acampamento
E nós todos os presentes
Antigos e actuais
Todos iguais e diferentes
Seremos mais sempre mais

terça-feira, 4 de agosto de 2009

canção da chuva

Por essa chuva a cair lá fora
Por essa luz que já enche o ar
Por essa noite que se demora
E não quer passar

Por essa voz a chamar no escuro
Pela canção que vem do mar
Pelas palavras que não procuro
Nem quero achar

Por quem se aproxima sem ruído
De mansinho
E deixa ao passar

No ar um silêncio, nos sentidos
Como um vinho
Que me faz lembrar
Antigos cantos proíbidos
De se cantar

Por quem, no meu corpo
Os mistérios
Mais escondidos
Teima em acordar
Há teima em acordar

Por esses dias que me fugiram
Por entre os dedos sem se deter
Como essa chuva a cair na rua sombria e nua
Sem eu saber

Talvez só por estarmos sós
Esta noite em nós
Insista em nos levar, p'lo ar, p'lo ar
P'lo ar...


Adelaide Ferreira

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Búzios



Havia a solidão da pressa no olhar triste
Como se os seus olhos fossem as portas de preto
Sinal da cruz que persiste, os dedos contra o quebranto
E os búzios que a velha lançava sobre um velho manto

Há espreita está um grande amor mas guarda segredo
Vazio tens o teu coração na ponta do medo
Vê como os búzios caíram virados p’ra norte
Pois eu vou mexer no destino, vou mudar-te a sorte

Havia um desespero intenso na sua voz
O quarto cheirava a incenso, mais uns quantos pós
A velha agitava o lenço, dobrou-o, deu-lhe 2 nós
E o seu padre santo falou usando-lhe a voz

Há espreita está um grande amor mas guarda segredo
Vazio tens o teu coração na ponta do medo
Vê como os búzios caíram virados p’ra norte
Pois eu vou mexer no destino, vou mudar-te a sorte

Há espreita está um grande amor mas guarda segredo
Vazio tens o teu coração na ponta do medo
Vê como os búzios caíram virados p’ra norte
Pois eu vou mexer no destino, vou mudar-te a sorte!


Ana Moura

terça-feira, 30 de junho de 2009

quando te falei em amor



Quando os meus olhos te tocaram
Eu sei que encontrara
A outra metade de mim
Tive medo de acordar
Como se vivesse um sonho
Que não pensei em realizar
E a força do desejo
Faz me chegar perto de ti
Quando eu te falei em amor
Tu sorriste para mim
E O mundo ficou bem melhor
Quando eu te falei em amor
Nos sentimos os dois
Que o amanha vem depois
E não no fim

Estas linhas que hoje escrevo
São do livro da memória
Do que eu sinto por ti
E tudo o que tu me das
É parte da história que eu ainda não vivi

E a força do desejo
Faz me chegar de ti
Quando eu te falei em amor
Tu sorriste para mim
E o mundo ficou bem melhor
Quando eu te falei em amor
Nos sentimos os dois
Que o amanha vem depois e não no fim


Cantor: André Sardet

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Fado Menor



Os teus olhos são dois círios
Dando luz triste ao meu rosto
Os teus olhos são dois círios
Dando luz triste ao meu rosto
Marcado pelos martírios
Da saudade e do desgosto.
Marcado pelos martírios
Da saudade e do desgosto.

Quando oiço bater trindades
E a tarde já vai no fim
Quando oiço bater trindades
E a tarde já vai no fim
Eu peço às tuas saudades
Um padre nosso por mim.
Eu peço às tuas saudades
Um padre nosso por mim.

Mas não sabes fazer preces
Não tens saudades nem pranto
Mas não sabes fazer preces
Não tens saudades nem pranto
Por que é que tu me aborreces
Por que é que eu te quero tanto?
Por que é que tu me aborreces
Por que é que eu te quero tanto?

És para meu desespero
Como as nuvens que andam altas
És para meu desespero
Como as nuvens que andam altas
Todos os dias te espero
Todos os dias me faltas.
Todos os dias te espero
Todos os dias me faltas.


Ana Moura

sábado, 23 de maio de 2009

Eu dava tudo para te ter aqui


sim, é por amor
que eu me dou sempre mais
quando me olhas nos olhos
como quem chama por mim

sim, é por amor
que eu me dou sem pensar
na tua doce loucura de procurar a paixão

ah, quero sempre mais
ah, quero sempre mais

mas tu nem sempre vens
outra paixão talvez
eu sei esperar e entender
mas dói demais

eu dava tudo para te ter aqui
ao pé de mim outra vez
eu dava tudo para te ter aqui
ao pé de mim outra vez

sim, é por amor
que eu não sei dizer que não
quando me olhas nos olhos
como quem chama por mim

ah, quero sempre mais
ah, quero sempre mais

nem um sinal de ti
à noite perco-me por aí
finjo amar pensando em ti
mas dói demais

eu dava tudo para te ter aqui
ao pé de mim outra vez
eu dava tudo para te ter aqui
ao pé de mim outra vez


Adelaide Ferreira

sábado, 16 de maio de 2009

intervalo


Vida em câmara lenta,
Oito ou oitenta,
Sinto que vou emergir,
Já sei de cor todas as canções de amor,
Para a conquista partir.
Diz que tenho sal,
Não me deixes mal,
Não me deixes…

No livro que eu não li,
No filme que eu não vi,
Na foto aonde eu não entrei,
Noticia do jornal
O quadro minimal… Sou eu…

Vida á média rés,
Levanta os pés
Não vás em futebóis, apesar…
Do intervalo, que é quando eu falo,
Para não me incomodar.

Diz que tenho sal,
Não me deixes mal,
Não me deixes…

No livro que eu não li,
No filme que eu não vi,
Na foto aonde eu não entrei,
Noticia do jornal
O quadro minimal… Sou eu…

Não me deixes já
Historia que não terminou
Não me deixes…

No livro que eu não li,
No filme que eu não vi,
Na foto aonde eu não entrei,
Noticia do jornal
O quadro minimal… Sou eu…

No livro que eu não li,
No filme que eu não vi,
Na foto aonde eu não entrei,
Noticia do jornal
O quadro minimal… Sou eu…


Grupo : Perfume + Rui Veloso

sábado, 2 de maio de 2009

A chave da minha porta


Eu vi-te pelo São João
Começou o namorico
E dei-te o meu coração
Em troca de um manjerico

O nosso amor começou
No baile da minha rua
Quando São Pedro chegou
Tu eras meu e eu era tua

Esperava por ti
Como é de ver de quem ama
Tu vinhas tarde p'ra casa
Eu ia cedo p'rá cama

P'ra me enganar
Que a esperança em mim estava morta
Deixava a chave a espreitar
Debaixo da minha porta

Deixava a chave a espreitar
Debaixo da minha porta

Passou tempo e noutro baile
Tu sempre conquistador
Lá foste atrás de outro xaile
E arranjaste outro amor

Fiquei louca de ciúme
Porque sei que esta paixão
Não voltará a ser lume
Pra te aquecer o coração

Espero por ti
Como é sina de quem ama
Tu já não vens para casa
Mas eu vou cedo p'rá cama

P'ra me enganar
Que a esperança em mim já está morta
Eu deixo a chave a espreitar
Debaixo da minha porta

Eu deixo a chave a espreitar
Debaixo da minha porta

P'ra me enganar
Que a esperança em mim já está morta
Eu deixo a chave a espreitar
Debaixo da minha porta


Amália Rodrigues

segunda-feira, 30 de março de 2009

pão de pedras


já são horas meus senhores
de lançar o grão à terra
n´é com ercas da regueira
que a gente ganha a guerra

verdes campos verdes prados
p´la ´nha mão aqui plantei
vejo estevas vejo cardos
crescerem des´qu´abalei

a cavar em terra allheia
ganho pedras não sementes
não sei fazer pão de pedras
p´ra fome que a gente sente

Autor : Pedro Barroso

sábado, 14 de março de 2009

companheira


Deixei pousar minha boca em tua fronte
toquei-te a pele como se fosses harpa
escorreguei em teu ventre como o vento
e atravessei-te em mim como se fosse farpa

Deixei crescer uma vontade devagar
deixei crescer no peito um infinito
morri da morte lenta do desejo
e em cada beijo abafei um grito

Quando desfolho o livro velho da memória
sinto que o tempo passado à tua beira
é um espaço bom que há na minha história
e foi bonito ter dito companheira

Inventei mil paisagens no teu peito
rebentei de loucura e fantasia
quando me olhavas devagar com esse jeito
e eu descobri tanta coisa que não vias

Havia em ti uma forma grande de incerteza
que conseguias converter em alegria
havia em ti um mar salgado de beleza
que me faz sentir saudades em cada dia

Quando desfolho o livro velho da memória
sinto que o tempo passado à tua beira
é um espaço bom que há na minha história
e foi bonito ter dito companheira

Autor: Pedro Barroso

sábado, 28 de fevereiro de 2009

água


Pus-me à noite a ouvir o mar
sentado na pedra sentado na areia
e senti uma barcarola criar devagar
esta melodia
tinha a crista e vaga desta vaga história
d'arte marinheira
luzia na prata mais rica,
mais rica mais rica que havia
e aquele pensamento d'ir e voltar sempre
que há na maresia
fez subir da água, dessa água toda, cem mil caravelas
era mais que o mar mais que a vida toda
quem ali fervia
e foi muito mais que um homem com guitarra
quem soltou as velas
tive ali a consciência
tinha ali a história toda
tinha ali um povo antigo
a cantar comigo uma canção de roda

Mergulhei da praia nessa história grande
de alma derramada
falei com mareantes e conquistadores
gente aventureira
crepitei nas ondas marés de ida e volta
partida e chegada
cortei fundo a crista do gume das vagas
duma vida inteira
mas daquele mar fundo fundo mar que lá fica sempre
trago só lembranças e um saco de tempo
s'é que o tempo presta
quem disser que o viu que o compreendeu
ou se esquece ou mente
pois no fundo hoje a raiva que ficou
é tudo o que nos resta

Tive ali a consciência
tive ali a história toda
tive ali um povo antigo
a cantar comigo uma canção de roda

Autor: Pedro Barroso

domingo, 15 de fevereiro de 2009

rosalinda


Rosalinda
se tu fores à praia
se tu fores ver o mar
cuidado não te descaia
o teu pé de catraia
em óleo sujo à beira-mar

a branca areia de ontem
está cheiinha de alcatrão
as dunas de vento batidas
são de plástico e carvão
e cheiram mal como avenidas
vieram para aqui fugidas
a lama a putrefacção
as aves já voam feridas
e outras caem ao chão

Mas na verdade Rosalinda
nas fábricas que ali vês
o operário respira ainda
envenenado a desmaiar
o que mais há desta aridez
pois os que mandam no mundo
só vivem querendo ganhar
mesmo matando aquele
que morrendo vive a trabalhar
tem cuidado...

Rosalinda
se tu fores à praia
se tu fores ver o mar
cuidado não te descaia
o teu pé de catraia
em óleo sujo à beira-mar

Em Ferrel lá p´ra Peniche
vão fazer uma central
que para alguns é nuclear
mas para muitos é mortal

os peixes hão-de vir à mão
um doente outro sem vida
não tem vida o pescador
morre o sável e o salmão
isto é civilização
assim falou um senhor

tem cuidado

Compositor : Fausto

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

a ilha


Olhamos tudo em silêncio na linha da praia
De olhos na noite suspensos do céu que desmaia;
Ai lua nova de Outubro, trazes as chuvas e ventos,
A alma a segredar, a boca a murmurar tormentos!

Descem de nuvens de assombro taínhas e bagres
Se as aves embalam os peixes em certos milagres;
Levita-se o corpo da alma, no choro das ladainhas,
Na reza dos condenados, nas pragas dos sitiados,
Na ilha dos ladrões, quem sai?
E leva este recado ao cais:
São penas, são sinais. Adeus.

Livra-me da fome que me consome, deste frio;
Livra-me do mal desse animal que é este cio;
Livra-me do fado e se puderes abençoado
Leva-me a mim a voar pelo ar!

Como se houvesse um encanto, uma estranha magia,
O sol lentamente flutua nas margens do dia.
Despe o meu corpo corsário, seca-me a veia maruja,
Morde-me o peito aos ais, das brigas, dos punhais,
Da ilha dos ladrões, quem sai?
E leva este recado ao cais:
São penas, são sinais. Adeus.

Andamos nus e descalços, amantes, sedentos
Se o véu da noite se deita na curva do tempo.
Ai lua nova de Outubro,
Os medos são medos das chuvas e ventos,
Da alma a segredar, da boca a murmurar

Adeus

Autor : Fauto

sábado, 31 de janeiro de 2009

por este rio acima


Por este rio acima
Deixando para trás
A côncava funda
Da casa do fumo
Cheguei perto do sonho
Flutuando nas águas
Dos rios dos céus
Escorre o gengibre e o mel
Sedas porcelanas
Pimenta e canela
Recebendo ofertas
De músicas suaves
Em nossas orelhas leve como o ar
A terra a navegar
Meu bem como eu vou
Por este rio acima
Por este rio acima
Os barcos vão pintados
De muitas pinturas
Descrevem varandas
E os cabelos de Inês
Desenham memórias
Ao longo da água
Bosques enfeitiçados
Soutos laranjeiras
Campinas de trigo
Amores repartidos
Afagam as dores
Quando são sentidos
Monstros adormecidos
Na esfera do fogo
Como nasce a paz
Por este rio acima
Meu sonho
Quanto eu te quero
Eu nem sei Eu nem sei
Fica um bocadinho mais
Que eu também
Que eu também meu bem
Por este rio acima isto que é de uns
Também é de outros
Não é mais nem menos
Nascidos foram todos
Do suor da fêmea
Do calor do macho
Aquilo que uns tratam
Não hão-de tratar
Outros de outra coisa
Pois o que vende o fresco
Não vende o salgado
Nem também o seco
Na terra em harmonia
Perfeita e suave das margens do rio
Por este rio acima
Meu sonho
Quanto eu te quero
Eu nem sei Eu nem sei
Fica um bocadinho mais
Que eu também
Que eu também meu bem
Por este rio acima
Deixando para trás
A côncava funda
Da casa do fumo
Cheguei perto do sonho
Flutuando nas águas
Dos rios dos céus
Escorre o gengibre e o mel
Sedas porcelanas
Pimenta e canela
Recebendo ofertas
De músicas suaves
Em nossas orelhas leve como o ar
A terra a navegar
Meu bem como eu vou
Por este rio acima

Autor: Fausto

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

esperança


Se quiseres partir amanhã
eu paro o mundo
com facilidade assim
com esta mão
e então descobriremos
o mais profundo fundo que há no mundo
que é no irmos fundo às coisas
que há razão
de verdades consumadas me consomem
de falácias bem montadas me alimentam
mas meu filho mora o reino do futuro
que é mais duro
e não vai ser com palavras
que o contentam

Se a morte lenta te rebenta sob a pele
a cada dia
e se no teu braço apenas sentes a força
de um cansaço organizado
mas manténs na tua fronte a dúvida
e o gosto pelo longe e a maresia
e se sentes no teu peito de criança
a alma de um sonho amordaçado
se quiseres partir amanhã
eu paro o mundo
com facilidade assim
com esta mão
e então descobriremos o mais profundo
fundo que há no mundo
que é no irmos fundo às coisas que há razão

Autor : Pedro Barroso

domingo, 2 de novembro de 2008

cantar é


Estou aqui meus senhores para vos dizer
CANTAR não pode ter regulamento
só canta de encomenda quem quiser
quem faz uma canção tem que a assumir
e não apenas querer passar o tempo
CANTAR, CANTAR, CANTAR CANTAR
não é redoma lucro ou montra
é ter uma intenção e ter coragem
não é a lantejoula luzida o que mais conta
Mas ter por arma uma viola na bagagem
e ter um povo inteiro na viagem
CANTAR, CANTAR, CANTAR é acreditar
CANTAR é alma, é dedos, dor e riso
CANTAR é acto de combate colectivo

pela acusação, pelo despertar e pelo aviso

CANTAR é uma maneira de ser povo

CANTAR é uma maneira de estar vivo
CANTAR, CANTAR CANTAR,
CANTAR é acreditar


Autor e compositor: PEDRO BARROSO

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

quanto é que eu gosto de ti


Já pensei dar-te uma flor, com um bilhete, mas nem sei
o que escrever, sinto as pernas a tremer quando sorris
pra mim, quando deixo de te ver...
Vem jogar comigo um jogo, eu por ti e tu por mim.
Fecha os olhos e adivinha, quanto é que eu gosto de ti.

Gosto de ti desde aqui até à lua,
Gosto de ti, desde a Lua até aqui.
Gosto de ti, simplesmente porque gosto, e é tão bom
viver assim...

Ando a ver se me decido, como te vou dizer, como te
hei-de te contar, até já fiz um avião com um papel azul,
mas voou da minha mão... Vem jogar comigo um jogo, eu
por ti e tu por mim. Fecha os olhos e adivinha, quanto
é que eu gosto de ti.

Gosto de ti desde aqui até à lua,
Gosto de ti, desde a Lua até aqui.
Gosto de ti, simplesmente porque gosto, e é tão bom
viver assim...

Quantas vezes parei à tua porta, quantas vezes nem
olhaste para mi, quantas vezes eu pedi que
adivinhasses, o quanto eu gosto de ti.

Gosto de ti desde aqui até à lua,
Gosto de ti, desde a Lua até aqui.
Gosto de ti, simplesmente porque gosto, e é tão bom
Já pensei dar-te uma flor, com um bilhete, mas nem sei
o que escrever, sinto as pernas a tremer quando sorris
pra mim, quando deixo de te ver...
Vem jogar comigo um jogo, eu por ti e tu por mim.
Fecha os olhos e adivinha, quanto é que eu gosto de
ti.

Gosto de ti desde aqui até à lua,
Gosto de ti, desde a Lua até aqui.
Gosto de ti, simplesmente porque gosto, e é tão bom
viver assim...

Ando a ver se me decido, como te vou dizer, como te
hei-de te contar, até já fiz um avião com um papel azul,
mas voou da minha mão... Vem jogar comigo um jogo, eu
por ti e tu por mim. Fecha os olhos e adivinha, quanto
é que eu gosto de ti.

Gosto de ti desde aqui até à lua,
Gosto de ti, desde a Lua até aqui.
Gosto de ti, simplesmente porque gosto, e é tão bom
viver assim...

Quantas vezes parei à tua porta, quantas vezes nem
olhaste para mi, quantas vezes eu pedi que
adivinhasses, o quanto eu gosto de ti.

Gosto de ti desde aqui até à lua,
Gosto de ti, desde a Lua até aqui.
Gosto de ti, simplesmente porque gosto, e é tão bom
viver assim...

Autor: André Sardet

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

ai caramba


Veio da costa
Com o sorrir de quem chegava cedo
Trazia histórias De baleias, de marés e medo
E aquela gente
Que nunca tinha visto o mar contado

Ouvia tudo
Como segredo que é revelado
E a filha do carpinteiro
Que era como uma sereia

Tão boa como água mansa
Fêmea como a lua cheia
De crescer água na boca
De sonhar a noite inteira
Ponham-me a pensar sozinho
Que ainda a deitava na areia

Ai caramba!

Aquilo é que havia de ser caramba

Palavra de honra

Só me arrependia do que não fizesse

Ai se eu pudesse catraia

Levava-te a navegar

O teu lenço, a tua saia

Deitava os dois ao mar

E era o que Deus quisesse,

Ai catraia se eu pudesse...
Raio de moça
Que já me põe a falar sozinho
Ainda hei-de um dia

Aparecer-lhe à curva do caminho

Pode a nascente

Se levantar lá das terras da sorte

Hei-de dizer-lhe

Que é mais bravia que o vento norte
E um dia de manhazinha

O pescador perdeu o medo

Foi bater-lhe à porta e disse

Quero contar-te um segredo

E ela pior que as marés

Deu-lhe a resposta despachada

Vai mas é de volta ao mar
Que tu daqui não levas nada
Ai se eu pudesse...

Ai caramba

Aquilo é que havia de ser caramba

Palavra de honra

Só me arrependia do que não fizesse

Ai caramba!
Aquilo é que havia de ser caramba

Palavra de honra

Só me arrependia do que não fizesse

Ai se eu pudesse catraia

Levava-te a navegar
O teu lenço, a tua saia

Deitava os dois ao mar

E era o que Deus quisesse,

E era o que Deus quisesse,

Ai catraia se eu pudesse...

banda QUADRILHA

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

um filme



O quarto amanhece
A luz quase rasga
Há um plano da cama
Um livro no chão
A roupa espalhada
Os olhos fechados
A imagem sem som
da televisão

Dois corpos deixados
no vão da janela
que filtram a luz
Azul do abandono
Um plano fechado
Do rosto e das mãos
E o movimento lento
E leve do sono

E no que resta do escuro
Tudo o que se deu
E colada ao tecto
A imensidão do céu

Na mesa um cigarro
Que ficou esquecido
O sol desenhado
Na nudez da pele
Uma brisa leve
Um luar escondido
E o plano infinito
de qualquer gesto breve

E no que resta do escuro
Tudo o que se deu
E colada ao tecto
A imensidão do céu

Ao lado da cama

No chão um papel
Ardente na sombra
de quem foi embora
talvez diga apenas "adeus


Mafalda Veiga

domingo, 28 de setembro de 2008

tatuagens


Em cada gesto perdido
Tu és igual a mim
Em cada ferida que sara
Escondida do mundo
Eu sou igual a ti

Fazer pintura de guerra
Que eu não sei apagar
Pintas o sol da cor da terra
E a lua da cor do mar

Em cada grito da alma
Eu sou igual a ti
De cada vez que um olhar
Te alucina e te prende
Tu és igual a mim

Fazes pinturas de sonhos
Pintas o sol na minha mão
E és mistura de vento e lama
Entre os luares perdidos no chão

Em cada noite sem rumo
Tu és igual a mim
De cada vez que procuro
Preciso um abrigo
Eu sou igual a ti

Faço pinturas de guerra
Que eu não sei apagar
E pinto a lua da cor da terra
E o sol da cor do mar

Em cada grito afundado
Eu sou igual a ti
De cada vez que a tremura
Desata o desejo
Tu és igual a mim

Faço pinturas de sonhos
E pinto a lua na tua mão
Misturo o vento e a lama
Piso os luares perdidos no chão

Mafalda Veiga

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

velho


Parado e atento à raiva do silêncio
De um relógio partido e gasto pelo tempo
Estava um velho sentado no banco de um jardim
A recordar fragmentos do passado

Na telefonia tocava uma velha canção
E um jovem cantor falava na solidão
Que sabes tu do canto de estar só assim
Só e abandonado como o velho do jardim?

O olhar triste e cansado procurando alguém
E a gente passa ao seu lado a olhá-lo com desdém
Sabes eu acho que todos fogem de ti prá não ver
A imagem da solidão que irão viver
Quando forem como tu
Um velho sentado num jardim

Passam os dias e sentes que és um perdedor
Já não consegues saber o que tem ou não valor
O teu caminho parece estar mesmo a chegar ao fim
Para dares lugar a outro no teu banco do jardim

O olhar triste e cansado procurando alguém
E a gente passa ao seu lado a olhá-lo com desdém
Sabes eu acho que todos fogem de ti prá não ver
A imagem da solidão que irão viver
Quando forem como tu
Um resto de tudo o que existiu
Quando forem como tu
Um velho sentado num jardim


Mafalda Veiga

segunda-feira, 25 de agosto de 2008


ABRAM ALAS P ´RO NODY

COM A BUZINA A TOCAR

ABRAM ALAS P ´RO NODY

TODOS CÁ FORA A BRINCAR


ABRAM ALAS P`RO NODY

VAMOS GRITAR UM VIVA

PREPARAR ESTÁ PRONTO

HOJE É UM GRANDE DIA

NODY ESTÁ A CHEGAR


ABRAM ALAS P`RO NODY

NO SEU CARRO AMARELO

ABRAM ALAS P ´RO NODY

O DIA VAI SER TÃO BELO

ABRAM ALAS P´RO NODY

VAMOS GRITAR UM VIVA

VAMOS DANÇAR, CANTAR

O DIA É DE ALEGRIA
É O NODY ABRAM ALAS

terça-feira, 29 de julho de 2008

coração vagabundo


EU NÃO SEI PORQUÊ
O MEU CORAÇÃO É TÃO VAGABUNDO
E QUAL A RAZÃO DE QUERER AMAR
TODAS AS MULHERES DO MUNDO

EU JÁ FIZ DE TUDO PARA SER SINCERO
MAS ELE NÃO FAZ O QUE EU QUERO
EU NÃO SOU O CULPADO
DO MEU CORAÇÃO SER ASSIM TÃO ERRADO

CORAÇÃO VAGABUNDO
CORAÇÃO SEM AMOR
VIVE SEMPRE JULGADO
É UM POBRE COITADO
É MAIS UM SOFREDOR

sábado, 19 de julho de 2008

perfume patchouli


AI QUE BEM CHEIRAS QUE BEM CHEIRAS DOS SOVACOS

AS MEIAS ROTAS E OS SAPATOS DESCASCADOS

NAS AVENIDAS AINDA FAZES TEUS ENGATES

E TUDO GRAÇAS AO PERFUME PATCHOULI


OH OH OH OH OH OH

OH OH OH OH OH OH


ESSAS MIUDAS DAS ESCOLAS SECUNDÁRIAS

COM CHEIRO A LEITE E O SOQUETE P`LO ARTELHO

FICAM MARADAS COM TEU CHARME PERFUMADO

YEH O TEU PERFUME PATCHOULI


OH OH OH OH OH OH

OH OH OH OH OH OH


ESSAS MIUDAS DAS ESCOLAS SECUNDÁRIAS

FUMAM GANZAS NAS PARAGENS DOS ELÉCTRICOS

CONVERSAS PARVAS COM MAIS BUÇO QUE PENTELHO

NÃO DIZEM DUAS QUANDO ESTÃO AO DE TI


OH OH OH OH OH OH

OH OH OH OH OH OH


PORQUE ELAS GOSTAM

DE TE VER E DE CHEIRAR

O TEU PERFUME PATCHOULI